Missões: Maior e Mais Santo dever da Igreja Católica

 CAPÍTULO 1

 
O que são as Missões?
 

Vamos em primeiro lugar, conhecer a definição de missões, para aprofundarmos conscientemente neste “maior e o mais santo dever da Igreja” (Cf. Concílio Vaticano II, Decreto “Ad Gentes”, nº 29).

O Concílio Vaticano II, Decreto “Ad Gentes”, nº 6, define as missões da seguinte forma: “Chamam-se comumente “missões” as iniciativas especiais dos arautos do Evangelho que, enviados pela Igreja, vão pelo mundo todo, realizando o múnus de pregar o Evangelho e de fundar a própria Igreja entre os povos ou sociedades que ainda não crêem em Cristo. São realizadas pela atividade missionária e em geral exercidas em certos territórios reconhecidos pela Santa Sé. O fim próprio dessa atividade missionária é a evangelização e a fundação da Igreja nos povos ou sociedades onde ainda não está radicada. Deste modo da semente que é a palavra de Deus, por todo o mundo surgem as Igrejas particulares autóctones, devidamente organizadas, enriquecidas também de forças próprias e de maturidade. E dotadas de suficiente hierarquia própria unida ao povo fiel, e de meios aptos para uma vivência plenamente cristã, as novas Igrejas colaborem para o bem de toda a Igreja. O principal meio dessa fundação é a pregação do Evangelho de Jesus Cristo. Com o fim de anunciá-lo, o Senhor enviou seus discípulos a todo o mundo, para que os homens renascidos pela palavra de Deus fossem agregados à Igreja mediante o batismo. Corpo do Verbo Encarnado, ela se nutre e vive da palavra de Deus e do pão eucarístico”.

Essa definição insiste na pregação da palavra de Deus, como principal meio para fundar a própria Igreja ente os povos ou sociedades, que ainda não crêem em Cristo, obedecendo assim a ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo, proclamar o Evangelho a toda criatura”(Mc 16, 15).

 
 
CAPÍTULO 2
 
A necessidade das missões
 
 

A necessidade das missões é urgente no mundo em que vivemos, porque cada dia que passa a humanidade se distancia de Deus, e o homem se fecha no seu egoísmo, e cada dia aumenta o número daqueles que não conhecem Jesus Cristo: “O número daqueles que ignoram Cristo, e não fazem parte da Igreja, está em contínuo aumento; mais ainda: quase duplicou, desde o final do Concílio. A favor desta imensa humanidade, amada pelo Pai a ponto de lhe enviar o seu Filho, é evidente a urgência da missão” (Cf. Encíclica “Redemptoris Missio”, nº 3, do Papa João Paulo II).

Diante de tão grande necessidade, nenhum católico pode ficar de braços cruzados ou calado. A ignorância à nossa volta é muito grande, como é grande também o erro e incontáveis os que andam perdidos e desorientados por não conhecerem Nosso Senhor Jesus Cristo: “Nenhum crente, nenhuma instituição da Igreja pode esquivar-se deste dever supremo: anunciar Cristo a todos os povos” (Cf. Encíclica “Redemptoris Missio”, nº 3, do Papa João Paulo II).

O Concílio Vaticano II, Decreto “Ad gentes”, nº 7, assim expressa sobre a necessidade das missões: “O motivo dessa atividade missionária está na vontade de Deus, que “quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. Porque um é Deus, e também o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que se entregou para redenção de todos (1Tm 2, 4-5)”. "E em nenhum outro há salvação" (At 4, 12). É necessário que pela pregação da Igreja todos O reconheçam e a Ele se convertam e pelo Batismo sejam incorporados n’Ele e na Igreja, seu Corpo. Cristo mesmo por sua vez “inculcando com palavras expressas a necessidades da fé e do batismo”(Mc 16, 16; Jo 3, 5), ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo como por uma porta. “Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disto não quiserem nela entrar ou nela perseverar” (Cf. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática “Lumem Gentium”, nº 14). Deus pode por caminhos d’Ele conhecidos, levar à fé os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho. Pois sem a fé é impossível agradar-Lhe. Mesmo assim cabe à Igreja o dever e também o direito sagrado de evangelizar. Por isso a atividade missionária hoje como sempre conserva íntegra sua força e necessidade".

 
 
CAPÍTULO 3
 

A atividade Missionária é o maior e mais santo dever da Igreja Católica Apostólica Romana

 
 

Muitas pessoas estão sedentas das palavras de Cristo, as únicas que podem dar paz à alma, as únicas que ensinam o caminho do Céu: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6, 68). E a Igreja Católica tem o dever principal de dar a conhecer Jesus Cristo através das missões: “Entre as tarefas de interesse geral, dê particular importância à atividade missionária o maior e o mais santo dever da Igreja” (Cf. Concílio Vaticano II, Decreto “Ad Gentes”, nº 29).

A urgência de dar a conhecer a doutrina de Cristo é muito grande, porque a ignorância é um poderoso inimigo de Deus no mundo e é: “A causa e como que a raiz de todos os males que envenenam os povos” (Cf. Encíclica “Ad Petri Cathedram”, 29-6-1959, do Papa João XXIII). Cada cristão deve dar testemunho – não só com o exemplo, mas também com a palavra – da mensagem evangélica.

O Concílio Vaticano II, Decreto “Ad Gentes”, nº 5, assim expressa sobre esse maior e mais santo dever da Igreja: “O Senhor Jesus desde o início “chamou a Si os que Ele quis, e fez que os doze estivessem com Ele para enviá-los a pregar” (Mc 3, 13). Assim foram os Apóstolos os germes do novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia. Depois, que por Sua morte e ressurreição completou em Si os mistérios de nossa salvação e da renovação universal, o Senhor obteve todo o poder no céu e na terra. Antes de ser assumido ao céu fundou Sua Igreja como o sacramento da salvação. Como Ele mesmo fora enviado pelo Pai, enviou os apóstolos a todo o mundo, mandando-lhes: “Ide, pois; fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19s). “Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 15s). Daí o dever que cabe à Igreja de propagar a fé e a salvação de Cristo. Isto em virtude do expresso mandato transmitido pelos Apóstolos ao Colégio dos Bispos, assistidos pelos Presbíteros, junto com o Sucessor de Pedro e Sumo Pastor da Igreja; e ainda em virtude da vida que Cristo infunde em Seus membros. “Por Ele o corpo todo pelo serviço de cada membro se organiza e se mantém firme e a cada órgão vem assinada a sua função peculiar; e destarte vai o corpo crescendo até chegar ao desenvolvimento completo pela caridade” (Cf. Ef 4, 16). Obediente ao mandato de Cristo e movida pela graça e caridade do Espírito Santo, a Igreja cumpre sua missão, quando em ato pleno se faz presente a todos os homens ou povos, afim de levá-los à fé, à liberdade e à paz de Cristo, pelo exemplo da vida, pela pregação, pelos sacramentos e demais meios da graça. E assim se lhes abre um caminho desimpedido e seguro à plena participação do mistério de Cristo”.